sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Duas horas

A paciência toma forma, e agora me acompanha em minha jornada insistente entre a janela da sala onde fica um pátio vazio com algumas folhas soltas. Neste momento rodeiam como se formasse um redemoinho. Vou até a geladeira para uma compulsiva investigação de onde poderia estar o alimento que daria fim a profunda necessidade que destrói meus pensamentos. Olhos agora perpassam incerta minha profunda e incoerente fantasia, mas sinto que por mais forte que seja a realidade da imaginação o saciar ainda tem fome. A necessidade do ter carnal se faz mais do que presente e a duvida da reciprocidade desmancha todas as certezas e torna cada passo um ser intensamente pensante, invadido pela dor de seu pequeno lago tranqüilo de esperança. Nada, um exemplo fiel de que o ser humano busca a pureza em seu mais doloroso vazio, pois está ai a afirmação de que a mediocridade de nossas frustrações em julgar, apontar, ridicularizar, o esboço de felicidade alheia para suprimir o prazer que esta sempre num futuro próximo a ser conhecido. Seu peito se enche, incha ao ponto de transbordá-lo e querer transpassar a garganta. Apenas o barulho se atreve a calar já que a tristeza acaba por escorrer por todo o pomar facial e umedecer toda a humildade que na solidão da peça pardacenta desenha. Um retrato de um simples desfecho ou talvez um início interminável de fugas. Fitar a idéia...

(t.p)

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